
Última atualização: 24/09/2025.
Muita gente acredita que um vinho varietal é sempre feito com apenas uma uva, enquanto um vinho de corte é simplesmente a mistura de várias variedades. Parece lógico, mas essa explicação é incompleta.
Afinal, você sabia que alguns vinhos podem ser classificados como varietais mesmo sendo produzidos com duas ou mais uvas? E que os cortes nem sempre envolvem apenas uvas, podendo combinar vinhos de diferentes safras, vinhedos ou até barricas?
Entender essa diferença vai muito além de uma questão de nomenclatura: trata-se de compreender a filosofia do produtor, a legislação de cada país e até a forma como o vinho expressa sua identidade.
Neste artigo, você vai descobrir de maneira clara e prática:
O que é um vinho de corte?

No mundo do vinho, a palavra “corte” (também chamada de blend ou assemblage) significa mistura. Mas não pense que essa mistura é somente de uvas — ela pode envolver várias possibilidades:
Diferentes uvas → E não é só tinta com tinta e branca com branca. Tem também, vinhos feitos com mistura de uvas tintas e brancas! Uma uva que naturalmente tenha mais acidez, pode ser complementada por outra com menor acidez. Uma que tenha poucos taninos pode fazer parte de um corte com outra que tenha mais taninos, e assim por diante.

Diferentes uvas do mesmo vinhedo (Field Blend) → Bastante comum em Portugal, esse método faz com que as uvas cresçam juntas, sejam colhidas ao mesmo tempo e fermentem em conjunto, resultando em vinhos de grande complexidade aromática e equilíbrio natural.
Vinhos já prontos → Um bom exemplo ocorre lá na região de Champagne, na França, onde é comum misturar vinhos tintos e brancos para criar o Champagne rosé.
Vinhedos distintos → Uvas colhidas em locais diferentes (com características distintas de solo, inclinação, exposição solar, entre outras particularidades) podem ser combinadas para reunir as qualidades dos diferentes terroirs.
Barris variados → Vinhos que passaram por barris de diferentes tamanhos, com idades diferentes (novos ou usados) e por diferentes períodos também podem se unir.
Anos diferentes → Vinhos jovens e vinhos mais velhos podem ser misturados. A mistura de safras é feita quando há uma busca pela padronização dos vinhos, ou seja, manter o padrão de qualidade e sabor ano após ano. Isso é feito porque, devido às diferenças climáticas, as uvas ganham características levemente diferentes de uma safra para a outra. O Champagne e o Vinho do Porto são exemplos de vinhos produzidos com a mistura de diferentes safras.

Mas por que fazer essas misturas todas? Não seria mais fácil usar uma única uva? Ou uvas de um único vinhedo? Ou um único barril? Seria. Mas o corte é considerado uma arte.
Todas essas misturas são feitas com o objetivo de alcançar o perfeito equilíbrio do vinho. Com a técnica correta, o produtor equilibra aromas, sabores e texturas, aproveitando o que cada componente tem de melhor para entregar um vinho mais complexo e completo.
O que é um vinho varietal?

O vinho varietal foca na expressão de uma única uva. Por isso, em alguns países, o nome dessa variedade costuma aparecer no rótulo — como Cabernet Sauvignon, Malbec ou Pinot Noir.
Mas focar na expressão de uma única uva não significa que o vinho tenha sido produzido somente com ela. Em alguns países, como a Argentina, basta que 85% do vinho seja feito com uma única uva para que ele seja considerado varietal. O restante pode ser complementado por outras variedades, sem que isso precise ser mencionado no rótulo.

Esse percentual muda conforme a legislação de cada país, então vale conferir sempre a ficha técnica ou o contra-rótulo se quiser ter certeza absoluta.
Países como Brasil, Chile e Nova Zelândia estabelecem que o vinho tenha o mínimo de 75% de uma única uva para que seja considerado varietal. Na Austrália e África do Sul a regra é semelhante a da Argentina, onde a uva predominante deve compor 85% do vinho. Já em algumas regiões dos Estados Unidos, como Oregon, a uva principal deve corresponder a 90% do vinho.
Para evitar mal-entendidos, alguns especialistas recorrem ao termo monovarietal ao se referirem a um vinho que, na verdade, foi elaborado com uma única variedade de uva.
Vinho varietal e vinho de corte: o que é melhor?

Essa é uma pergunta comum entre os amantes do vinho. Mas a verdade é que não existe um melhor absoluto — são propostas diferentes.
O vinho varietal mostra de forma pura a identidade de uma uva, principalmente se vier de um único vinhedo. Já o vinho de corte combina o melhor de várias uvas, regiões ou processos, oferecendo complexidade e riqueza, tanto aromática quanto de sabor.
Para quem está começando no universo do vinho, a dica é simples: comece pelos varietais, que são mais fáceis de entender. Depois, aventure-se nos cortes e descubra a magia que um blend bem-feito pode oferecer. 😉
Comentários
PARABÉNS! BEM DIDÁTICO E SIMPLES! SEMPRE TIVE ESSA DUVIDA, NA MINHA PEQUENA ADEGA SEMPRE TIVE VINHOS VARIETAIS, MEU PREFERIDO CARMÈNÉRE, MAS ULTIMAMENTE COM UM MAIOR ACESSO À ALGUNS TINTOS EUROPEUS TENHO MUITOS DE CORTE, E REALMENTE HÁ BASTANTE DIFERENÇA DE SABORES ENTRE AS REGIÕES.
Olá, Daniel! Como vai?
Fico feliz por ter contribuído para o seu conhecimento. Realmente, a combinação entre uvas dá um sabor e uma complexidade bem diferente aos vinhos.
Um abraço ????
Muito legal, amei as dicas! Super válidas para mim que estou começando a me aventurar pelo mundo dos vinhos, e como iniciante tenho pouco conhecimento!
Olá, Lana! Como vai?
Fico feliz por ter contribuído para o seu conhecimento.
Um abraço ????
Adorei! Vc coloco de modo simples fácil de entender. Obrigada!
Olá, Paula!
Obrigado pelo comentário. Fico feliz por ter lhe ajudado a entender 🙂
Um abraço!
Maravilha. Prático e informativo.
Olá, José Eduardo! Como vai?
Fico feliz por ter contribuído para o seu aprendizado.
Um abraço ????
Excelente!
Olá, Carlo! Como vai?
Fico feliz por ter contribuído para o seu aprendizado.
Um abraço ????
Parabéns pela postagem!
Olá, Thiago! Como vai?
Fico feliz por ter contribuído para o seu aprendizado.
Um abraço ????